Voluntários da Pátria em show único no SESC Belenzinho dia 7 de outubro de 2016. Projeto Álbuns.

28 set

Durante os anos 1980, emergiu na cidade de São Paulo uma cena underground bastante peculiar que mesclou punk, post-punk e new wave numa estética local própria e muito diferente do que se ouvia no rádio.

Rapidamente surgiam bandas, casas noturnas (entre as mais famosas o Carbono 14, o Madame Satã, o Napalm e o Rose Bom Bom) e um público bastante aficionado.

Também era presente o aspecto político da sociedade, com o ambiente de liberação do final da ditadura militar. As letras em português muito frequentemente tematizavam isso – ainda que as referências musicais fossem mais o pós-punk inglês e a “no wave” novaiorquina. O Voluntários da Pátria foi um dos grupos mais centrais dessa cena. Formado por músicos que tinham crescido no rock, no jazz-rock e na música eletrônica que rapidamente entenderam e absorveram o impacto do pré-punk de NYC (bandas do CBGB) e do punk inglês.

Miguel Barella foi guitarrista na banda seminal da cena, o Agentss, encontrou no baterista Thomas Pappon o parceiro perfeito para o Voluntários da Pátria. Pappon, multi-instrumentista, compositor e letrista, tocaria em paralelo os grupos Smack e Fellini, também importantes na época.

A formação se estabilizou quando entrou Giuseppe “Frippi” Lenti, que criou com Miguel a trama de guitarras que era recorrentemente comprada a grandes bandas estrangeiras com dois guitarristas (Talking Heads, Television, XTC, King Crimson, Au Pairs etc).

Em 1984 o Voluntários da Pátria gravou um LP – lançado pela Baratos Afins – com a formação considerada clássica: Nasi: vocal; Miguel Barella: guitarra; Giuseppe “Frippi” Lenti: guitarra; Ricardo Gaspa: baixo; Thomas Pappon: bateria.

O disco foi bem-recebido pela crítica da época, o que é justo com as boas composições, arranjos e execução da banda. Isso seria reconhecido internacionalmente nas coletâneas internacionais No Wave (Man Recordings, Alemanha) de 2005, e No Wave Revisited (EP 12”com remixes). Barella e Frippi também colaboraram com faixas da banda Akira S & as Garotas que Erraram, presente nessa e na coletânea No Wave (Man Recordings, Alemanha, 2005). Para o show de 2016, o grupo reuniu a formação original do disco exceto Gaspa, mais uma figura central do movimento: a baixista Sandra Coutinho, das Mercenárias e do Smack.

Com a recente redescoberta das bandas paulistanas da década de 80 e o crescente interesse nos discos de vinil o Voluntários da Pátria se preparou para fazer a apresentação definitiva, com a formação clássica (menos o baixo, que ficará a cargo de Sandra Coutinho), no Projeto Álbuns do SESC Belenzinho.

No show, o Voluntários executará o repertório do álbum, mais algumas versões de grupos emblemáticos que influenciaram a estética da banda.

Videos gravados no Napalm em 1984 com músicas que farão parte do show:

Cadê o Socialismo: https://www.youtube.com/watch?v=2KJ65HLRwAw

O homem que eu amo: https://www.youtube.com/watch?v=CfjUL1tfAAs

Ioiô: https://www.youtube.com/watch?v=LjTzS5oXDuM

Fúria brasileira: https://www.youtube.com/watch?v=fXT9ZthO44Y

Texto: Alex Antunes e Miguel Barella.

Venda de ingressos aqui.

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